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domingo, 17 de abril de 2011

NOSSOS FILHOS NAO SÃO NOSSOS FILHOS


O nosso inesquecível poetinha Vinícius de Moraes já dizia: "Filhos: melhor não tê-los, mas se não tê-los como sabê-lo?" 
Só quem é pai/mãe, sabe como é  essa incrível experiência de ter filhos. É viver o céu e o inferno juntos em um mesmo espaço! É sentir dor e alegria ao mesmo tempo. É deixar de ser você mesmo para praticamente viver em função deles...
E então, depois de toda uma vida cercada de altos e baixos, atenções e cuidados,relaxamentos e tensões, lágrimas e sorrisos...Eles crescem...E você muitas vezes nem percebe que isso aconteceu. Continua a querer educá-los como se ainda fossem crianças. 
Como é dolorido "cortar o cordão umbilical"!!!
O meu foi cortado por forças das circunstâncias. Minha filha se mudou para outro estado para acompanhar o marido que faz medicina lá. Doeu mas já cicatrizou. Principalmente porque eles estão felizes. E como ainda não tenho netos, estou vivendo um período de paz e águas calmas!
Deixo aqui um lindo texto que me foi enviado como sendo de autoria de José Saramago, mas certamente inspirado nas palavras do autor do Pequeno Príncipe, para uma reflexão sobre o apego dos pais para com os filhos. 


"Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até de nossas ordens. 
A partir de certa idade, só valem conselhos. Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais
acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.

Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.  Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!

Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem,biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente. 
E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento, minhas noites perdidas, meus sonhos adiados e muitas vezes cancelados? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? 

Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo! Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os filhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo. O problema é que meu coração já é deles". 


José Saramago 


"A vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver "






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