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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

DE OLHOS FECHADOS...


Este texto veio a calhar porque eu enxergo bem melhor de olhos fechados, determinadas coisas, do que de olhos abertos...Creio que vocês também! Então vejamos:

"Tenho dificuldade, melhor dizendo, muita dificuldade de enxergar a essência dos fatos e das pessoas quando estou com meus olhos abertos. Eles não deixam que eu veja o real. Se é que ele existe. Lógico que não quero dizer que devamos olhar para o mundo com os olhos fechados, fisicamente falando. Você corre o risco de levar é um belo tombo, se aplicar esta ideia. Defendo outra ideia  a de que precisamos aprender a enxergar a essência, mesmo com os olhos abertos. Mas para isso, precisamos desativar a parte ruim do nosso olhar. Precisamos aprender a criar bloqueios que impeçam nossos olhos ativarem sentimentos e idéias menores, pequenas, que nos levam a distorcer nossa leitura do mundo. “É apenas com o coração que se pode ver direito, o essencial é invisível aos olhos", já dizia Antoine de Saint-Exupéry, em sua obra “O Pequeno Príncipe”. 

Entenda! A síntese de minha ideia é que os olhos enganam, e muito! Os olhos são preconceituosos, são precipitados, ardilosos. Com os olhos, priorizamos a estética, a forma, em detrimento da função, da essência. Vemos as roupas, as curvas, as jóias, o novo modelo, o valor monetário do que se porta ou se usa, e não a sua função. Os olhos são portais para da vaidade. Com os olhos rejeitamos a cor, a raça, os hábitos, as manias, os trejeitos do outro. Os olhos buscam a quantidade, e não a qualidade. Os olhos desejam o maior pedaço, o prato mais cheio. Desejam o(a) mais bonito(a), mesmo que não seja o(a) melhor. A quantidade é tangível, mas a qualidade está no intangível, e isso só é percebido pelo tato, pelo paladar, pelo olfato, e principalmente pelo olhar do coração. O olho é uma lente instantânea da vida, uma máquina fotográfica. Mas perceber a qualidade das pessoas ou das coisas requer o passar do tempo, o depurar, o assentar, o experimentar. 

Os olhos interferem nos nossos relacionamentos em casa, no trabalho, entre amigos. Imagine a seguinte cena. Chegou um novo funcionário na empresa. Para seus padrões, ele não está vestido adequadamente. Esportivo ou informal demais, com piercing, trança rastafari ou cabelo no gel, arrumado demais para seu gosto. O fato é que existe algo VISÍVEL nele que certamente afetará a sua leitura do invisível. Mas é lá que está o mais importante, a essência. Se você tentar ler o caráter, a lisura, a honestidade, o companheirismo do novo colega, somente pelo que você vê, e não pelo que você sente, certamente aumentará em muito a chance de construir uma percepção equivocada dele. Isso é tão perigoso e prejudicial à nossa vivência e aprendizado que o apóstolo Paulo chegou a dizer, em II Co 4:18: “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas”. E completou, em II Co. 5:7, o seguinte: “Porque andamos por fé, e não pelo que vemos”.  

Imagine agora se você tivesse recebido aquele mesmo colega, e conversado um bom tempo com ele, mas de olhos fechados, sem ser confundido ou enganado pela vista. A que conclusões você teria chegado? Às mesmas? É bem provável que não. Quantas e quantas vezes você já não parou, fechou seus olhos, e voltou sua cabeça para o alto, só para conseguir pensar e processar melhor alguma idéia? O que você estava tentando fazer era tão somente focar no essencial, não se deixando levar pelo temporário, pelo fugaz, captado pelos olhos. 

Lógico que isso tudo, todas estas referências e paradigmas, ou seja, todos esses modelos preconceituosos e distorcidos, que nos fazem enxergar e concluir equivocadamente, já estão em nossas mentes. Os olhos apenas captam as imagens que já estão associadas à eles. Estes modelos são frutos de nossas crenças, de nossa matriz de valores. Os olhos são o grande gatilho para ativá-los. Existe solução? Lógico que sim. Ela passa, é claro, pela mente. É lá que se processam todas as mudanças interiores. Lembrem-se de Paulo, o apóstolo: “... mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”. 

E não existe transformação sem dispêndio de energia, sem esforço, sem sacrifício. Por isso, aceite de imediato a ideia de se exercitar para enxergar melhor, mesmo com os olhos abertos. Tudo que você precisa fazer é questionar o que você vê. É dizer para si mesmo: será que estou vendo tudo, principalmente o invisível? Será que estou dando tempo suficiente para captar pelo coração, pelos sentimentos, o que os olhos não vêem? Não estou sendo precipitado em minha conclusão, considerando apenas o que meus olhos captaram?  

Então, quer enxergar o invisível, quer enxergar com o coração. Pois feche os olhos. Certamente você vai enxergar melhor."

(Paulo Angelim)

Beijos carinhosos

5 comentários:

edumanes disse...

De olhos fechados
Assim não vejo a sua cor
Serão azuis claros
Lindos com a primavera em flor!

Duas estrelas brilhantes
Iluminando a sua beleza
Lá no céu reluzentes
Lindas são as cores da natureza!

Boa noite para você,
um abraço
Eduardo.

ELAINE disse...

O essencial é invisível aos olhos! Só se vê bem com o coração - Saint Exupery. Parabéns pelo post! Adorei! Um abençoado e feliz final de semana!
Abraço fraterno e carinhoso!
Elaine Averbuch Neves
http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com.br/

Célia Rangel disse...

Certíssimo! Na essência é que enxergamos e valorizamos muito melhor!
Bjks. Célia.

Anne Lieri disse...

Mari,linda msg e de olhos fechados podemos ver com o coração!Uma dica a exercitar!Não consegui acessar mais o link do livro.Queria colocar no Recanto.bjs,

MARILENE disse...

Um ótimo texto. Creio, porém, que precisamos educar nosso olhar, para que possamos enxergar além do que, em princípio, nos é visível. Bjs.

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