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quarta-feira, 7 de março de 2012

UMA HOMENAGEM ESPECIAL!!!



Em homenagem ao dia da mulher resolvi fazer um relado inédito nestas páginas. É a primeira vez que falo sobre este assunto aqui. Não que eu queira manter em segredo mas tenho um projeto que, por enquanto está na gaveta...Quero escrever um livro. Não propriamente uma biografia, mas uma estória de ficção tendo como pano de fundo um fato verdadeiro. 
Ainda não encontrei tempo para realizar este desejo, pois,  resolvi fazer faculdade e o meu tempo ficou nulo. Agora estou às voltas com o projeto do mestrado e, com isso, o livro vem sendo adiado.
Creio que a maioria das pessoas que me conhecem sabe que vivi durante muitos anos em Athenas, na Grécia. Fui casada com um grego, aqui no Brasil, em 1975, e tivemos uma filha Milena, que hoje está com 32 anos. No ano de 1984, em julho, fomos viver em terras helenicas já que toda a família dele estava morando lá também.
Meu marido tinha problemas sérios com o alcoolismo e eu já havia me separado dele quando minha filha tinha 2 anos. Ele pediu uma chance e eu dei, pois, creio que todos merecem uma.No entanto, uma das condições para que eu fosse embora com ele, era que nunca mais ele voltasse a beber, uma vez que, ele estava abstêmio fazia  aproximadamente 3 anos. 
Infelizmente ele não manteve a promessa e, depois de seis meses morando lá ele voltou a beber...Me separei e ele não se conformava. Fazia de tudo para voltar, no entanto, eu sabia que se desse mais uma chance as recaídas continuariam. 
No Brasil ele frequentou o AA (alcoólicos anônimos) e eu frequentei o AL-ANON, um programa para familiares de alcoólatras. Aprendi muitas coisas neste programa, uma delas, não aceitar as recaídas. Ou você aceita o fato de conviver com o problema ou você se retira. Escolhi me retirar. Ele jamais aceitou. Começaram as investidas e as tentativas de me fazer volar! Uma saga!!!
Um dia ele foi buscar minha filha na escola e desapareceu com ela. Fiquei desesperada. Ele ligava e dizia que só devolveria a menina se eu voltasse com ele. Resolvi mandá-la para o Brasil, na casa de meus pais, até que eu pudesse voltar. Um ano depois, quando eu já estava me preparando para vir ao Brasil, ele veio e roubou minha filha, fugindo com ela para a Argentina, depois Itália, onde ele tinha parentes.
Nem vou contar aqui os pormenores desta "novela" porque levaria muito tempo. O fato é que, vim ao Brasil para tentar impedir que ele fosse embora com ela, mas, infelizmente já era tarde. Voltei à Grécia e só depois de 2 anos consegui encontrá-la. Entrei com um processo de guarda que durou exatamente 7 anos!!!
Nenhum juíz me concedia a guarda, pois, eu não conseguia provar o alcoolismo dele. O fato é que, eu sendo estrangeira e os juízes sendo homens tornavam as coisas muito difíceis... No sétimo julgamento, quando entrei na sala da auditoria e me deparei com uma MULHER juiza, eu sabia que a causa estava ganha! Dito e feito!
Ela se mostrou irritadíssima com esse processo e com o fato de nenhum colega ter tido a coragem suficiente para me dar minha filha de volta!!!
Conclusão: GANHEI A GUARDA TOTAL DA MINHA FILHA!!! Era abril de 1994!
Hoje, graças a esta abençoada juiza, MULHER, CORAJOSA E DIGNA DE OCUPAR UM CARGO ASSIM, minha filha está muito bem, obrigada! E eu, sou uma mãe feliz e realizada!
O pai dela voltou ao Brasil duas vezes e, como sempre, tentou convencer a filha a ir embora com ele outra vez. Felizmente ela já era adulta e compreendia muito bem a situação e se recusava a viver com ele. 
Alguns meses depois da última visita ao Brasil, o pai da minha filha voltou à Athenas e morreu em consequência de um tombo, pelo fato de estar alcoolizado!
FIM DO SOFRIMENTO E DAS TENSÕES!
É claro que esse miolo é recheado de muitos detalhes tristes mas, fica para quando eu escrever meu livro! Vocês terão que esperar.
Só quis escrever este relato para homenagear esta juiza, grega, que me concedeu a guarda da minha filha Milena! Se o processo continuasse nas mãos dos juízes homens não sei se eu teria conseguido!


Desejo a todas as mulheres deste planeta, muita coragem, sabedoria e, sobretudo paciência, para conseguir que seus direitos sejam respeitados.


Beijos carinhosos!


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14 comentários:

MARCO ANTONIO BERNARDINO disse...

Marineide, eu entendo que para que se dê ganho a certas causas, nada como quem analisa, julga e despacha, ser capaz seja por experiência ou instinto, se empatizar e assim se por no lugar do ou da reclamante. O Universo conspira a favor e protege o direito mormente de quem luta por acreditar e você assim fez. parabenizo a magistrada, mas também você guerreira que merece que através de você, sejam todas as mulheres homenageadas. Grande beijo e parabéns pelo seu dia!!!!

Fábio Valentim disse...

Nossa! É uma linda história. Daria uma bela biografia sim. Foi mesmo duro a luta. Sei que é por auto, mas se aprofundarmos nesse livro que pretende escrever, vai ser muito bom. Desejo muito sucesso pra você. Beijos.

Zé Carlos disse...

Marcia, publique mesmo pois além de ser muito interessante a sua história é muito útil tanto para as mulheres no dia Internacional da Mulher como às pessoas alcoólatras.
Que bom que você está no Brasil e bem. Bjs do Zé Carlos

Célia Rangel disse...

Seu relato é uma história de vida em muitos lares; com uma grande diferença, a falta de coragem e de autoestima feminina para sobrepor-se com dignidade a isso tudo! Meu carinho pelo seu desabafo! Célia.

Marcia disse...

Minha querida as vezes so mulheres entendem mulheres,o alcoólatra causa um tormento a si e aos seus,uma pena,sofri o mesmo na infancia com meu pai que hoje doente não bebe mais.Espero que publique o livro sera de muita ajuda a todos o exemplo de sua coragem em saber a hora de não mais se deixar sofrer .Obrigada pelo convite!
Bjos
Marcia

soninha disse...

Parabéns pela sua força e coragem.
sinto pelos alcoólatras que também sofrem por, nem sempre conseguirem vencer a si mesmo.
Deus abençoe a todos.
Paz!soninha

mfc disse...

Imagino todo o teu sofrimento e aqui fica o meu abraço muito amigo!
Parabéns por seres assim e teres continuado a lutar!
Beijos.

Geraldo Morais disse...

Marineide, não fosse Você uma mulher lutadora e perseverante e acima de tudo uma Mãe dedicada e amorosa talvez o desfecho da tua historia teria sido outro, o que a magistrada percebeu foi exatamente isto e coube a ela render-lhe as devidas deferências, coisa que lamentavelmente os juízes homens cegos de seus machismos estúpidos não foram capazes de perceber. parabéns a magistrada pela percepção, mas acima de tudo parabéns a Você pela Mãe que és!

Rose disse...

Eu sou suspeita para comentar porque tenho dois filhos super corujas comigo, já a filha é a queridinha do papai, como eu também era do meu pai.
Portanto, não tenho experiências negativas com ninguém por questão de gênero, mas eu fiquei comovida com sua história e digo que te admiro mais ainda depois do que você escreveu.

Marcos Pontes disse...

As mulheres merecem conhecer seu livro. Mãos na massa! Sua história, sua coragem e persistência e as decisões de uma mulher tão decidida quanto você merecem aplausos. E, cá pra nós, a Milena é linda.

ValériaC disse...

Marineide, fiquei emocionada em ler um pouco da sua história,será um livro com uma temática forte, importante, incentivadora.
Bendita seja a sua garra como mãe e mulher e bendita e consciente juíza que teve coragem de fazer a Lei prevalecer, sem se contaminar com parcialidades e proteção ao sexo masculino.
Feliz dia das mulheres a ti e à todas!
Beijos,
Valéria

Valéria disse...

Oiiii Marineide!
Estou por aqui novamente!
Esta homenagem vai para a juiza, mas antes de tudo para você menina, que foi guerreira e batalhou até o fim. Linda e comovente narrativa!
Beijinhos e um lindo e feliz dia da mulher para você!

marciagrega disse...

Obrigada a todos pelo carinho!
Vocês são demais!!!!

Beijos

SONINHA disse...

Amiga!!!! Cheguei a me arrepiar! Que história, hein?!
És uma guerreira!!! Se eu já te admirava, imagine agora!!!
Tua filha deve ter muito orgulho de ti, amiga!
Beijos, muitos beijos!!!!!

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