quarta-feira, 9 de novembro de 2011

SOLIDÃO CONTENTE


Muita gente tem pavor de ficar sozinha, gosta de ficar sempre na companhia de alguém. Sempre me questionei sobre o que leva uma pessoa a temer a solidão. Eu me relaciono muito bem comigo mesma e nunca tive problemas com isto. 
Recebi o texto abaixo da Mel, minha amiga e gostei imensamente de saber a visão masculina sobre a soldão feminina. Leiam e me digam se gostaram!

É de autoria do Ivan Martins da revista Época:

SOLIDÃO CONTENTE :
O que as mulheres fazem quando estão com elas mesmas

Ontem eu levei uma bronca da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão. 

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas. 

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha. 

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo, ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas. 

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”. 


Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.
Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali.. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou. 

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre. 

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem. 

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói. 

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome? 

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.
Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.
Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.
Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.
Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.  
Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos.
Repasse para suas amigas, especialmente para as que não sabem fazer  sua "solidão contente!" e para seus amigos entenderem e valorizarem a riqueza interior de certas mulheres comparada aos homens.

 IVAN MARTINS (editor-executivo de ÉPOCA).


Achei interessante esse trecho: "... eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim..."
Isso incomoda mesmo os homens, quando eu era casada meu marido também reclamava do meu gosto pela solidão! Fazer o que? Eu gosto de estar na companhia de amigos, namorado ou familiares, mas ficar sozinha, comigo mesmo é tudo de bom!!!

Beijos coloridos e perfumados!!!



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8 comentários:

Célia disse...

Olá, Marineide... hoje já não consigo ficar sem minha "solidão feminina"... Amo-a! É revigorante! Precisamos desse espaço! Abraço, Célia.

Felisberto T. Nagata disse...

Olá! Agradecendo a participação em meu blog..me sinto honrado...obrigado!
Semana de muita luz!



(( ps: estou seguindo este lindo blog))

Valéria disse...

Oi Marineide!
Que texto legal!
Adoro vivenciar a minha solidão, me sinto muito bem comigo mesma.
Adorei!
Beijinhos e tudo de bom!

Edum@nes disse...

Sua prima não é tola
Ela sabe o que pretende
Será feliz quem estiver com ela
Se for homem, ele entende
A beleza não tem preço
Sua prima mulher bela
Digo, eu, não a conheço
Mesmo assim gosto dela!

Você será diferente
Muito bela como ela
A imagino inteligente
Lhe atiro um beijo quando a vir à janela.
Eduardo.

MARILENE disse...

É muito importante estarmos bem conosco. Daí a alegria de nos namorarmos, de ouvirmos as músicas que desejamos, de saborearmos um taça de vinho e até de dançarmos sozinhas.
Eu gosto de estar só e isso não significa solidão.
Bjs.

Unknown disse...

Adorei o texto. E ele só me fez ter mais clara a certeza de que se consegue ser feliz no amor apenas quando aprendemos a ser feliz com a própria solidão- a "solidão contente".
Bravo.
Repassarei com prazer.
Inté

Anne Lieri disse...

Marineide,que maravilhoso esse texto!Eu me incluo nesse grupo de mulheres que curte fazer algumas coisas sozinha!Isso não é solidão,porque não me sinto só.É a escolha de momentos comigo mesma para refletir,fazer coisas que gosto,relaxar!Adorei o texto!Seu blog está lindão tb!Bjs,

mfc disse...

A solidão desejada é útil e necessária para o nosso equilíbrio.
A outra é horrível!

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